quarta-feira, 23 de março de 2011

A Melhor Idade


Frequentemente inventam adjetivos atenuantes para definir as pessoas de idade avançada., aquelas que já passaram dos 65 anos. Terceira idade, melhor idade, idade da sabedoria e outros tantos inventados pelas mentes criativas. Não há como tapar o sol com a peneira. A verdade é que chega o tempo da "senescência", quando a curva da nossa parábola, depois de atingir o topo, segue para a inevitável decadência.

Nascemos no ponto zero (0) e atingimos o auge físico, mental e espiritual aos 45 anos. A partir daí, algumas células especializadas do nosso organismo dão o sinal verde para as demais iniciarem o processo de senescência ou envelhecimento propriamente dito. Cabe a cada um de nós, mediante o cuidado de nossa saúde, prolongar a idade do ponto de interrogação (?) do gráfico, que significaria a idade de nossa morte quando voltaríamos ao ponto zero da força física, mental e espiritual.

Acho que não devemos criar um grupo à parte de pessoas idosas em nossa sociedade. Ainda mais sob a designação de melhor idade. Para mim a verdadeira melhor idade é aquela que vai dos 5 aos 12 anos. É a época das brincadeiras, da inocência, dos sonhos. É a época da cabeça fresca, livre das preocupações financeiras, profissionais ou existenciais. É a fase em que tudo é festa. É a fase do brincar de viver.

Enfim, nossos idosos não merecem ficar isolados em grupos separatistas. Inclusão social já aos nossos velhinhos. Esse é o caminho para onde vai a humanidade e nós também.


Poema do Dia:


Tempo


Tempo voa, voa tempo

Que fazer com o tempo

Que não para de voar?


Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Envelhecemos a cada

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Do relógio da vida.


Enquanto isso...


Tempo voa, voa tempo

Que fazer com o tempo

Que não para de voar?


Nossas aflições, nossos medos,

Nossos desejos, nossas consciências,

Navegam num mar de ...

...Tiques-taques, tiques-taques, tiques-taques...


Enquanto isso...


Tempo voa, voa tempo

Que fazer com o tempo

Que não para de voar?


Vamos levando a vida

Numa loucura desvairada

Até que cheguemos nos limites dos...

...Tiques-taques, tiques-taques, tiques-taques...


Enquanto isso...


Tempo voa, voa tempo

Que fazer com o tempo

Que não para de voar?


Até que num belo dia,

Tic..., tic..., tic..., tic.


Richard 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Quinto Elemento

"Nem ar, nem mar, somente Terra!"
Quatro elementos fazem parte da natureza que nos rodeia. Terra, água, fogo e ar. A água ocupa 3/4 da superfície do nosso planeta. Aparentemente a água é mais abundante do que a terra, o que levou muitas pessoas a insinuar que nosso planeta deveria se chamar de Água, ao invés de Terra. Mas não nos esqueçamos que o fundo do mar (e ele tem fundo) é feito de terra também. Gosto de admirar o mar, o movimento das ondas, ver o sol refletindo o seu brilho na superfície das águas e reluzindo faíscas como se fossem milhares de diamantes. Mas na água não me sinto bem. Talvez em pequenos nados em uma piscina ou à beira mar não mais do que algumas horas. Meus antepassados podem até ter surgido na água, mas a evolução seguiu um caminho diferente e hoje, eu tenho raízes em terra firme.
No ar me sinto muito pior. Tenho acrofobia, tenho receio de elevadores e muito medo de viajar de avião. Aquela sensação de estar flutuando no ar sem sustentação me apavora. Saber que se alguma coisa falhar lá no alto será o mais completo fim. Só se me tirarem a capacidade do raciocínio para que eu possa aceitar isso.
O fogo, terceiro elemento da natureza. Dentro deste não é possível sobreviver. No entanto, ele está bem "vivo" a alguns quilômetros abaixo de nossos pés. O centro da Terra é um núcleo de magma incandescente em constante ebulição. Por vezes sentimos sua força em algum terremoto ou vulcão em erupção.
Por fim temos a Terra, o nosso elemento mais precioso. Nossa mãe, de onde tiramos nosso sustento, onde nascemos e onde faremos nossa derradeira jornada.
Esses quatro elementos sempre conviveram em harmonia, dentro de suas próprias leis. As leis da natureza. Até que um belo dia surgiu o quinto elemento. Um elemento bem mais poderoso que os outros. Dono de suas próprias leis. Senhor de seus próprios atos. Imperador de um poder destrutivo de centenas de bombas atômicas. O quinto elemento somos nós: raça humana. E, assim sendo, em nossas mãos está depositado o nosso próprio destino.


Poema do Dia:

O Tiro

Eu dei um tiro na lua
E acertei.
Mal pude acreditar
Em tamanha sorte.
Basta dizer que
Acertar na lua
É mais difícil que
Acertar sozinho
Na loteria...
O único problema
É que
Meu prêmio
Está restrito
À remota
Órbita
Lunar...

Richard 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

As Mulheres

"A Bíblia Sagrada dos cristãos conta que Deus criou Adão, o primeiro homem, a sua imagem e semelhança. Mas mesmo vivendo no Paraíso, Adão, não parecia estar feliz. Deus, vendo que Adão andava triste e infeliz, resolveu lhe dar uma compania. E da costela de Adão, Deus criou Eva, a primeira mulher (Deve ser por isso que o churrasco de costela é o mais apreciado). Mas Deus (Até ele se engana), esqueceu-se que o pecado mora ao lado. E quando um homem e uma mulher se juntam o encaixe é perfeito. São peças de um mesmo quebra-cabeça. Eva conheceu Adão e apaixonou-se. A atração foi mútua. Eva também conheceu a cobra de estimação de Adão. E dela Eva ficou íntima. Brincava e conversava com ela todos os dias de modo que os outros atrativos do Paraíso ficaram em segundo plano. E assim foi até que Eva descobriu que a cobra de Adão lhe proporcionava uma sensação que jamais conhecera. A cobra de Adão lhe dava prazer!
Deus desaprovou tamanha libertinagem e, em represália, expulsou Adão e Eva do Paraíso."
Esta é uma das muitas lendas que ouvimos desde criança e que figuram no nosso imaginário. Mas, na verdade, a mulher é bem mais do que isso. A mulher é a fonte geradora da vida. Deixando de lado os progressos da medicina genética, a mulher, com uma pequena contribuição do homem, é a única que pode gerar a vida naturalmente. Isto lhe confere um poder quase Divino.
As mulheres organizam nossas vidas. As mulheres nos dão carinho. As mulheres nos dão de comer. As mulheres nos dão prazer... E, além de tudo isso, as mulheres geram a vida.
Pensando assim, as mulheres sempre foram discriminadas, desde Adão e Eva. As mulheres sempre foram vistas como pecadoras nos oferecendo o fruto proibido. Mas, na verdade, elas que nos corrigem e nos colocam nos trilhos desde pequeninos, desde o ventre materno, desde que éramos embriões. Porque elas é que geram a vida.
Começo a pensar que as mulheres são deusas,
Ou melhor: Acho que Deus é uma mulher!


Poema do Dia:

Harém

Mergulho em meus sonhos profanos,
Que de real não respeita o direito.
Mas o que cabe em meus planos,
Talvez aos outros não seja direito.

Quero um harém de mulheres,
Aos meus pés, noite e dia.
Se forem famintas, lhes dou talheres.
Se forem escravas, lhes dou alforria.

De dia Sofia e Luzia, à noite Thalia.
Quero amar a todas, e a nenhuma,
Se para tento eu tiver valia,
E meu coração, adrenalina alguma.

Se Maria estiver fria, porque não Lia?
Pois o viver com amor é mais fácil
E assim levo a vida na orgia,
Enquanto houver o desejo, enquanto for grácil.

Quero um harém de mulheres,
Aos meus pés, noite e dia.
E quando eu morrer em ares eteres,
Que eu me torne uma estrela vadia.

Richard 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"Swing" à Italiana com Tempero Brasileiro

Meus antepassados italianos protagonizaram um caso sem precedentes e que escandalizou a comunidade imigrante no início do século XX, na linha Tapera, interior de Gramado (RS). Trata-se da primeira troca de casais que se tinha notícias, entre os Trentin e os Dal-Ri, e que até hoje é motivo de escândalo e discórdia.
Os personagens dessa história foram os casais Nicodemo Trentin/Carolina Tessaro e Giuseppe Dal-Ri/Maria Baretta.
A relação entre eles iniciou quando Nicodemo convidou Giuseppe para ser seu sócio na construção e operação de um moinho. Os casais, então, tornaram-se íntimos e passaram a dividir a mesma casa.
Em abril de 1907, ocorreu um fato decisivo que mudaria completamente suas vidas. Hermínia, sete anos, filha de Maria e Giuseppe precisava de socorro urgente. Grávida, em vias de dar à luz, Maria pede para Carolina acompanhar seu marido Giuseppe até Taquara, em busca de socorro médico. Hermínia acaba morrendo e é enterrada em Taquara. Nessa viajem do casal aflora um sentimento mais forte que amizade. Após o retorno, Carolina viaja para Caxias com a desculpa de visitar parentes. Giuseppe viaja para Farroupilha a pretexto de pegar duas mulas de carga. A verdade é que Carolina e Giuseppe combinam um encontro em Caxias e juntos fogem para Sobradinho onde planejam viver sua grande paixão.
Após seis meses da fuga de Carolina e Giuseppe, Nicodemo e Maria passam a viver como marido e mulher. Nicodemo assume os filhos de Giuseppe com Maria, além de ficar com sua única filha com carolina.
É claro que a sociedade cobrou seu preço por tamanho descalabro para a época. Nicodemo e Maria foram impedidos de comungar e frequentar a igreja. Já Giuseppe foi enterrado como indigente, no lado de fora do cemitério.
Este episódio histórico ficou conhecido como " O Quatrilho".


Poema do Dia:

Indecisão

Nossos olhares se cruzaram
Eu gostei de ti
Tu gostaste de mim
Teu olhar de tigresa me encantou.
Quis te falar,
Sentir o tom da tua voz,
Mas essa indecisão
Que é minha algoz
Faz-me engolir as palavras
No momento oportuno.
Deixa-me amordaçado e sem ação.
Quando, finalmente, crio coragem
E me livro dessa amarra
Já é tarde...,
Perco-te na multidão.

Richard 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Teoria e a Prática

O papel aceita tudo. Tudo o que eu quiser ser, fazer ou sonhar, eu posso realizar na minha cabeça ou colocar em uma folha de papel. Mas colocar em prática nossos sonhos pode-se tornar uma tarefa muito difícil, quiçá impossível.
A verdade é que muitos fatores externos têm ação sobre os acontecimentos ao nosso redor. E, muitas vezes, estes agem de forma contrária ao nosso imaginário transformando o resultado final diferente daquele que havia sido pensado ou escrito
Um exemplo muito interessante que ilustra esse fato, aconteceu no caso do italiano Primo Levi.
Primo Levi, químico, escritor e filósofo. Um judeu italiano que escapou duas vezes da morte nos onze meses que passou no campo de concentração nazista de Auschwitz. Na primeira vez, por ser químico, foi selecionado para trabalhar no laboratório de pesquisas sobre borracha no campo. O que lhe valeu certas "regalias" perante às torturas sofridas pelos demais prisioneiros. Quando as forças aliadas estavam prestes a invadir Auschwitz, os nazistas se retiraram do Campo levando consigo os prisioneiros que estavam com boa saúde. Foi a chamada "Caminhada da Morte", onde as tropas alemãs juntamente com os prisioneiros foram praticamente dizimadas pelas forças aliadas. Mais uma vez Primo Levi foi salvo pela sorte. Acometido de Escarlatina ficou na enfermaria do Campo juntamente com 800 presos doentes dos quais 700 morreram. Levi foi um dos 100 sobreviventes. Após esse episódio marcante em sua vida, Levi, já de volta para a Itália, escreveu o livro "É Isto Um Homem?", descrevendo as atrocidades vividas por ele no Campo de Concentração de Auschwitz. Entre outros trabalhos, escreveu também o livro "A Trégua", onde ele nos mostra que é possível deixar uma guerra, aos pedaços, e ir juntando as partes novamente pela vida afora.
Curiosamente, esse homem, que passou pelos horrores da guerra e nos ensinou o caminho para superarmos as adversidades que a vida nos aplica, decidiu por fim à sua própria vida. Primo Levi havia telefonado a um amigo, pouco antes de morrer, e dito que não suportava mais a vida. Estava arrasado pelo sofrimento que a mãe vinha enfrentando com o câncer. Vê-la sofrer fazia com que recordasse dos horrores de Auschwitz. Minutos depois da conversa, Levi saltou do alto de uma escadaria em Turim, onde morava.
Levi não conseguiu colocar a sua teoria na prática. Ele foi vítima dos atalhos e descaminhos que a vida nos traça, testando nossas habilidades para sobreviver.




Poema do Dia:


Obsessão Cromática


O vermelho é absurdo.
O vermelho é abjeto.
O vermelho é o desejo,
Contido nas cartas do realejo.


O vermelho é o sangue
Destilado do inimigo.
O vermelho é o sexo:
Nosso prazer complexo.


O vermelho é a guerra
Com todo o seu horror.
Vermelha é a chama
Que arde na tua cama.


O vermelho é o sangue
Da tua menstruação.
Vermelho é o dia
Em que a morte me perseguia.


A obcessão vermelhífica, consuma,
A visão magnífica do apocalipse.
Pés, mãos, corpos de cabeças decepadas.
Vermelho de sangue por todos os lados.


Vermelho, vermelho, vermelho.
Vermelho por todos os lados.


A nossa sorte é...
Que o céu ainda é...
Azul!


Richard 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sentido x Instinto

Um assunto que nos peturba (seres racionais), acima dos outros seres vivos, que não têm essa preocupação, é o sentido da vida. Nascemos sabendo qual será o nosso fim. A questão é como vamos preencher o hiato vago entre nosso nascimento e nossa morte. A primeiríssima razão de existirmos é a perpetuação da nossa espécie ( idéia comum a todos os seres vivos). Gerar e dar condições de vida para os descendentes é uma preocupação constante das espécies. Mas, depois de feito isso, O que nos faz ter apego pela vida? Qual será a razão para a continuação da nossa existência? A partir daí, qual será o sentido que nos faz viver? Nesse ponto entra em ação outro valor comum a todos os seres vivos: O instinto de sobrevivência. Este sim, é o grande incentivador da nossa vida. Precisamos ficar vivos. Todos temos nosso papel no ciclo da vida, e temos que cumprí-lo. É claro que todos queríamos ser os atores principais nesse filme. Mas, a maioria tem que se contentar em ser apenas meros atores coadjuvantes. Assim como dentre milhares de espermatozóides, apenas um fecundará o óvulo, sendo o responsável por uma nova vida, todos os demais fazem parte do processo que significa a luta pela vida.
Dessa forma, quando se desfaz em nós o sentido da vida, entra em vigor o instinto de sobrevivência. Até quando nossas forças resistirem às vicissitudes da existência e às corrosões do tempo.

Poema do Dia:

Conflito

Tenho sido vão.
Tenho sido um não.
Migalha de pão,
Caroço de jabuticaba.

Tenho sido lento.
Tenho sido ungüento.
Peneira tapando o sol,
Jabuti rabugento.

O cão late com autoridade.
E eu me calo para ouvir.
Até para se latir com classe
Tem que ter "pedigree".

A canoa está furada,
E fazendo água.
Afundando num oceano
De pontos de interrogação.

Assim sendo, corro o risco
De, apenas, passar pela vida,
Ou vê-la passar por mim
Dando adeuses...

Richard 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aos Ufólogos, Meus Sentimentos!

Para o seleto grupo de leitores do meu blog, começarei o ano com uma notícia bombástica. Um furo de reportagem. Até hoje ninguém teve coragem de afirmar o que eu vou dizer. Nem mesmo os cientistas da NASA confirmarão minha afirmação. Eles sabem que estou certo, mas jamais dirão, porque temem perder os incentivos para suas pesquisas.
Eu afirmo o seguinte: "Não existe vida alcançável além do planeta Terra". E completando: "Jamais um ser extraterreno chegará até nós".
Não é preciso ser uma sumidade da inteligência, para se chegar a esta conclusão. É tudo uma questão de tempo e distância. Dentro do nosso minúsculo sistema solar, já é comprovado: Não existe vida. Fora dele, jamais saberemos, pois tudo é muito distante. Não são horas nem dias, mas sim anos-luz que separam as distâncias. Para se ter uma idéia, se fossemos atravessar a Via Láctea, galáxia na qual estamos inseridos, levaríamos 100 milhões de anos ( se conseguíssemos viajar a velocidade da luz). E, no entanto, no Universo existem trilhões de conglomerados astrais semelhantes à nossa Via Láctea. Se existirem seres extraterrestres, estes teriam a mesma dificuldade de locomoção para chegarem até nós.
Sinto dizer aos adoradores de Discos Voadores, que infelizmente jamais terão um contato imediato do 3º grau. . Lamento dizer aos cinéfilos, adoradores da ficção de Hollywood, que foram ludibriados na sua inocência febril.
Ora! Que diabos! Afinal precisamos um pouco de fantasia nas nossas vidas. Mas que essa fantasia fique restrita a uma tela de cinema e não extrapole os limites do impossível.
A verdade é esta: Estamos sós no Universo, até onde alcança o limite da nossa capacidade. Não há o quê procurar. Não há como alcançar. Não há pelo quê esperar. Estamos sós e basta!
Aos Ufólogos de plantão, viúvas dos seres extraterrenos, deixo os meus mais sinceros votos de sentimentos.


Poema do Dia:

Cosmos

Porque chorar em terra deserta?
Se o Sol só ilumina quem rei é.
Desperta, desperta
É preciso ficar em pé.

O cosmos me espera.
E é prá lá que eu vou,
Pois pouca vida ainda prospera
No resto de alma que ficou.

Bebo, com sede, o momento de agora
Até quando me permitir a negra morte,
Pois não sei o que meu corpo implora
Se o azar da vida, ou da mortalha, a sorte.

Quero, enfim, que o céu
Me mostre seus limites infinitos,
Que é para eu me envenenar com fel,
Um pouco mais, antes dos acordes benditos.

Richard 2011