sábado, 24 de julho de 2010

Um conto em três capítulos

Hoje resolvi exercitar o meu lado contista. Raramente escrevo contos. Somente quando me surge uma idéia original. Espero que apreciem...


O Travesti da Rua Sete
Capítulo I
O Beijo

Ernesto Ruiz era o tipo de sujeito pacato e ordeiro. Sempre disposto a ajudar seus amigos e parentes. Bem casado, pai de duas filhas: Amanda, 25 anos; e Samantha, 28 anos, ambas já encaminhadas na vida. Sua esposa já beirava os 50 anos, mas era uma mulher bem conservada, que não aparentava a idade que tinha. Ernesto era funcionário público de muitos serviços prestados ao governo. Chefe de sua seção, tinha, por isso mesmo, algumas regalias, entre elas a possibilidade de dar uma escapada durante o expediente. Nada comprometedor: um passeio pelo centro, um cafezinho no bar da esquina, ver as novidades das bancas de revistas, tudo dentro das possibilidades que o emprego lhe proporcionava.
Naquela tarde comprou o jornal e foi para o bar. Pediu um café preto sem açúcar, segundo Ernesto - Doce chegava a vida, pena que era tão curta. A garçonete saía dando gargalhadas. Isto satisfazia Ernesto que não gostava de "carranca", preferia fazer todo mundo sorrir e se divertir com suas brincadeiras, pois assim - Se vivia mais - Afirmava ele.
Abriu o jornal e foi direto à parte dos classificados, mais especificamente à seção de acompanhantes. Percorreu, maquinalmente, com o dedo as colunas de anúncios, como alguém que já fizera muitas vezes aquilo. Lia cada texto com atenção cirúrgica. Pausava demoradamente nos que lhe chamavam mais a atenção. Um dizia:
"Isabelle, um furacão de loira, 25 anos, 1,72 altura, 61 quilos, 100% liberal. Oral sem camisinha até o final. Venha me conhecer, com local. Fone:..."
Outro dizia:
"Scheila, Pérola Negra, passista de escola de samba, 21 anos, 1,69 altura, 54 quilos. Venha sentir o rebolado que só uma mulata tem. Atendo hotéis, motéis e a domicílio. Fone:..."
Outro ainda:
"Mulher casada, Helena, 35 anos, corpo em forma, quadril grande, louca para trair o marido. Sigilo absoluto, com local aquecido no centro. Fone:..."
Ernesto obeservou que havia muitos anúncios de transsexuais. Continuou lendo:
"Transex Júlia, 23 anos, 1,75 altura, 65 quilos. Siliconada, ativa e passiva. Venha conhecer este vulcão na cama. Prazer garantido com algo mais. Ap. privê no centro. Fone:..."
De repente seu olhar se fixou no infinito e sua mente viajou anos atrás, buscando lembranças do passado. Lembrou do primeiro travesti que conheceu num bairro da cidade. Tinha, então, 19 anos. Era um garotão com seu primeiro carro, ainda inexperiente nas coisas da vida. Foi quando inesperadamente viu aquela garota, de minissaia, blusa folgada acima do umbigo, cabelo curto, mas volumoso, e lábios carnudos pintados num vermelho exagerado. Parou num rompante e abriu a porta do lado do caroneiro. A garota escorou o braço na porta e inclinou o corpo para falar com o motorista:
- Está a fim de fazer um programinha? - Perguntou ela com um sorriso malicioso.
Ernesto automaticamente enfiou a mão por debaixo da blusa da moça. Sentiu que ela usava um sutiã com prótese de silicone. Havia confirmado suas suspeitas: "Ela era um travesti!".
Ele não teve coragem de desistir, o desejo falava mais alto.
- Quanto custa? - Perguntou ele.
- Trinta.
- Onde vai ser?
- Eu conheço um lugar aqui perto - Disse ela.
- Vamos lá, então. Pode entrar no carro.
Rodaram algumas quadras, até que ela indicou um estacionamento sobre a calçada, defronte a um prédio, provavelmente uma fábrica abandonada. Ela desabotoou a calça de Ernesto, iniciando as primeiras carícias em seu sexo. Ernesto não ficou com tesão. Estava nervoso. Talvez o local o intimidara. E se alguém passasse por ali. Se aparecesse algum bandido. Estaria completamente frito. Sentiu-se desconfortável. Ergueu delicadamente a moça. Agora podia ver-lhe a face mais de perto. Tinha feições joviais, talvez uns 19 ou 20 anos. A pintura do rosto era carregada, memo assim ela era bonita. Ao tocar no cabelo dela, confirmou tratar-se de uma peruca. Sentiu-se mal, não estava excitado. Decidiu tomar uma atitude radical. Quem sabe um beijo naqueles lábios carnudos, despertar-lhe-ia o desejo? Fechou os olhos e sua boca foi de encontro à dela. A língua da garota invadiu o interior de sua boca. A saliva dela tinha gosto de nicotina. Ernesto sentiu nojo. Aquele beijo lhe parecia desconfortável, inaceitável, interminável. Interrompeu, de repente, o beijo e exclamou:
- Não vai dar. Eu te pago o programa, mas vamos deixar assim. Eu te peço desculpas, o problema não é contigo, mas sim comigo.
Ela disse que por ela estava tudo bem e pediu que a deixasse no mesmo local em que havia embarcado. Ao se despedir ela disse:
- Vê se deixa esse preconceito de lado, viu?
Ernesto acenou com a mão em despedida, sentindo alívio na alma.
- Sr. Ernesto,está tudo bem?
Ernesto voltava de seu mergulho no passado. A garçonete repetiu a pergunta:
- Está tudo bem Sr. Ernesto?
- Ah! Claro que sim - Respondeu Ernesto voltando a si - Por favor me traga mais um café. Ernesto já se recompunha.
A garçonete atendeu prontamente.
Ernesto sacudia a cabeça com essa lembrança do passado, como que não acreditando que tivesse passado por isso. Ao final falou baixinho para si mesmo, como se estivesse pensando em voz alta:
- Caramba, eu já beijei um travesti!


Poesia do dia:

Roleta Russa

Somos a bala da vez,
Na roleta russa da vida.
Basta um clic talvez,
Para a dança, a morte convida.


Gira tudo, tudo gira
Ao nosso, estranho, redor.
Vivemos a cirandar nossa ira,
Mas o tema sabemos de cor.

Na roda da vida giramos,
E acabamos sempre no mesmo lugar.
Teimosa oração em domingo de Ramos.
Esperando o Salvador, que nunca vai chegar.

Deixemos o tambor rodar
Pela última vez, enfim
Seremos crianças, no céu, a acordar.
Tornar-nos-emos Arcanjos, no fim.

Gira tudo, tudo gira
Ao nosso, inusitado, redor.
Vivemos a cirandar nossa ira.
Mas nosso destino, sabemos de cor...

Richard

sábado, 10 de julho de 2010

Um Dia Seremos Todos Um Só

Desde o descobrimento do Brasil no ano de 1500, o país vem apresentando um processo de miscigenação de seu povo. No começo só haviam indígenas, que eram donos da terra e dela tiravam seu sustento. A colonização portuguesa, de cultura superior, foi aos poucos relegando os custumes e tradições dos índios. Inevitavelmente iniciou-se o cruzamento da raça branca e indígena. Mais tarde, com o advento do ciclo da cana-de-açúcar e do café, houve necessidade de trazer mão de obra escrava. Navios negreiros despejaram uma imensa população escrava proveniente da África. Novamente tivemos o cruzamento das raças branca, indígena e negra. À esta mistura fantástica de cores, ainda se juntaram os imigrantes alemães, italianos, japoneses e muitos outros.
O Brasil virou um tubo de ensaio da miscigenação das raças do mundo.
Segundo um senso recente do IBGE, a distribuição de raças no Brasil, em números absolutos, é a seguinte: Brancos 49%, Pardos 43%, Negros 7%, outras raças 1%.
Uma constatação importante da pesquisa é de que a cada ano que passa, diminui o número de brancos e negros e aumenta o númenro de pardos (mulatos). Isto quer dizer que num futuro bem próximo toda a população brasileira será parda, ou seja morena ou mulata.
Portanto aos racistas de plantão o caminho é a cova dos leões. Pois não importa o que pensem ou falem, um dia ainda seremos todos um só. Sim, seremos todos irmãos, nem que seja só de pele...


Poema do Dia:

Poema Vertical
@ T
!
VIDA
!
Dinossauros
!
Homem das Cavernas
!
Luta pela vida: Difícil/Sofrida
!
Evolução - Invenção: Fogo/Armas
!
Formação de Agrupamentos Humanos
!
Aparecem as Cidades
!
O Homem Evolui +
!
Invenção da Máquina
!
A Vida se Torna + Fácil
!
Grandes Conglomerados Urbanos
!
Comunicação + Rápida + Fácil
!
Meios de Transporte + + Rápidos
!
Invenção do Computador
!
A Vida se Torna muito + Fácil
!
A Conquista do Espaço
!
Melhoria do Nível de Vida
!
Poluição da Natureza
!
Novas Formas de Energia = Fusão Nuclear
!
Fim das Madeiras/ Fim do Petróleo
!
Alimentação Concentrada em Pílulas
!
Cidades Espaciais
!
Modificações na Estrutura Física e Mental do Ser Humano
!
A Vida se Torna muito + Fácil Ainda
!
Cérebro Humano se Desenvolve Fantásticamente
!
Telapatia/ Velocidade da Luz é Superada
!
A vida na Terra se Extingue
!
Gerações e Gerações se Passam
!
O Homem Espacial Conquista o Universo !
Richard

sábado, 3 de julho de 2010

Brasil, Ame-o ou Deixe-o

Quando iniciei meu curso de graduação, fizemos um trabalho em sala de aula onde debatíamos a respeito de um livro chamado "Brasil, Retrato sem Retoque". O livro apresentava uma série de equívocos e desperdício de dinheiro público com obras como a Transamazônica e a eliminação de nossa malha ferroviária, em detrimento das rodovias muito mais dispendiosas.
hoje, passados 30 anos desse episódio, parece que estamos assistindo ao mesmo "filme", apenas com personagens diferentes. O Brasil continua se afogando no mar de sua própria ignorância.
O MOBRAL, instituição criada para erradicar o analfabetismo, durou 40 anos e acabou sendo extinto, pelo simples motivo de ter aumentado o número de analfabetos ao invés de diminuir. Aliás, a educação deste país anda na sola do sapato, assim como a moral e a saúde.
Do contingente estudantil que entra nas escolas, grande parte não acaba o ensino fundamental, e apenas 1% chega ao ensino superior. Pior ainda, desses 1% de universitários, 50 % deles já tiveram contato com drogas ou bebidas alcoólicas e possivelmente desenvolverão dependência ou alguma seqüela futura. Pasmem, este é um dado alarmente, e eu me pergunto o que será do futuro do Brasil, um país continente, se a sua elite cultural segue sem rumo?
Pobre Brasil, país entregue aos safados, aos traficantes, aos oportunistas. Onde ficou nossa consciência política, nosso senso de indignação?
Eu considero que a Revolução de 1964, que instituiu a ditadura militar, acabou com as nossas lideranças. Liquidou o despertar político das gerações que se seguiram, jogando o país num vácuo cultural de 30 anos.
Deve estar na nossa genética a sintomática mania de levar vantagem em tudo. A curriola Portuguesa da corte de D. João VI deixou essa herança maldita arraigada em nossas entranhas. E assim vamos caminhando, de mal a pior...
Um povo massacrado pela sua ignorância, mas sempre disposto a sorrir. com seu sorriso banguela e inocente. Um "Zé Galinha", um "Burro Obreiro", que trabalha o dia inteiro feito um boi de canga, calado e resignado. E à noite vai para casa feliz, assistir à novela das 8 ou a um jogo de futebol.
Triste Brasil. O Brasil das falcatruas, do dinheiro nas cuecas, dos dólares nas meias, das cápsulas de cocaína nos estômagos das "mulas". Pobre Brasil. Por quanto tempo ainda teremos que assistir ao mesmo "filme"?
Ou Será que a melhor saída para o Brasil é o aeroporto?



Poema do Dia:

O Anoitecer de Domingo

O anoitecer de Domingo me entristece.
Bate uma angústia e vou ficando "Blasé".
Todos os meus problemas florescem neste anoitecer.

O anoitecer de Domingo me assusta.
Fantasmas, pesadelos, bruxas, sacis...
Todas as forças do mal me atormentam neste anoitecer.

E o Domingo se encaminha para o fim.
Ouço ruídos de passos no sótão.
Será a filha bastarda da escuridão,
A me buscar para enfeitar o seu "jardim"?

O anoitecer de Domingo me envelhece,
E contra isso não posso lutar...
Só esperar que passe a semana e volte a anoitecer.

Richard

domingo, 13 de junho de 2010

A Curvatura do Universo

Tudo é curvo ao nosso redor. Plantas, animais, seres humanos, todos são arredondados. Não há espaço para arestas no nosso mundo. Nada de pontas, nada de cantos, nada de bicos, tudo é redondo. O homem, com sua inteligência privilegiada, inventou construções quadradas e pontiagudas indo na contramão da própria natureza. Nosso corpo é cheio de curvas, onde os líquidos fluem harmonicamente numa aerodinâmica perfeita e quase mágica. Já pensaram se os seios fossem cúbicos e as bundas fossem quadradas? Seria um desastre total ...No mundo , o curvo é natural, e o que for quadrado é invenção, no máximo um quadro de Picasso.
A terra é redonda, a lua é redonda, os planetas são redondos, tudo é redondo. Existe uma força invisível responsável por tudo isso : A gravidade.
As forças gravitacionais agem a grandes distâncias e em todas as direções, esculpindo, esmerilhando, arredondando tudo a sua volta. Essa é a razão por não existir nenhum planeta "quadrado". A gravidade age em todas as direções, com a mesma intensidade, arredondando tudo numa simetria perfeita.
Edwin Hubble, importante astrônomo americano, cujo nome serviu para batizar o telescópio espacial que a 20 anos vem desvendando os místérios do espaço, foi o primeiro cientista a descobrir que o universo está em expansão. Depois do "Big Bang", a grande explosão que deu origem ao universo, houve um espalhamento dos astros formando planetas, galáxias, nebulosas, etc., em todas as direções, em uma expansão que é lenta, mas contínua.
A questão, agora, é saber onde fica a curvatura do universo. Aí então saberemos se ele é finito, pois a resposta de onde tudo começou está no fim. Esse papo parece loucura, mas é assim mesmo, os cientistas buscam as respostas para os mistérios do início do universo na curvatura do final dele, na borda que limita o tudo do vácuo absoluto.
Enquanto eles buscam as respostas, nós continuaremos vivendo no nosso mundo redondo, dominado por curvas, esperando que o tempo, senhor de todas as soluções, nos apresente a sua.



Poema do Dia:

Astros

Perdidos estamos, num universo vazio.
Vejo, em ti, uma noite de luar.
Vejo, em mim, um meteoro sem par.

Somos dois astros, na fria madrugada.
Aparentemente vazios, sem rumo, sem ter o que fazer,
Vasculhando o espaço à procura do prazer.

Sim, o prazer, este será o nosso ponto de encontro.
Dois corpos, em inevitável rota de colisão.
Dois corpos, interagindo, por puro tesão.

Encontrar-te, neste universo, não é sorte, é sortilégio...
Explorar teu planeta, para mim, um mistério encoberto,
Faz meu corpo tremer, a cada valo descoberto.

Derramar meu líquido quente em tuas entranhas,
E deixar a vida fluir seu caminho natural,
Faz minha existência ter um sentido vital.

E assim vamos, nós dois, pelo sem fim...
E que não desista o sol do calor...
E que não insista o ódio na dor...
E que não exista final nesse amor...

Richard

sábado, 29 de maio de 2010

Receita de Mulher

A antiga civilização grega sempre foi conhecida pelo seu culto à beleza. Escultores da época representavam seus "Deuses" em formas e medidas milimetricamente perfeitas. As medidas da estátua da "Vênus de Milo", durante muito tempo, foram tomadas como base das medidas ideais para o concurso de beleza da Miss Universo. Ou seja a perfeição da mulher estava materializada ali, naquela representação escultural quase divina.
No reino animal, onde está incluida a raça humana, o homem desempenha o papel do forte que desafia os outros machos para alcançar seu harém desejado. Ao passo que a mulher tenta expor sua beleza, seu cheiro, sua sedução, para tentar chamar a atenção dos homens que lhe interessam.
Está claro que cada mulher tem seu atrativo. Algumas tem a beleza, outras compensam a falta da beleza com o charme. É certo também, que cada homem procura uma mulher que tenha os atributos que ele quer ver nela. Melhor que seja assim, pois o mundo seria muito chato se todos gostassem dos mesmos padrões.
Cada um tem o seu ideal de mulher, mas acredito que a pessoa que melhor soube expressar a beleza da mulher em palavras, tenha sido Vinicius de Moraes, o nosso "poetinha".
Vinicius de Moraes, grande escritor, poeta, compositor brasileiro. Um homem que viveu intensamente a vida. Um boêmio nato, e muito... , muito... namorador. Vinicius era um apaixonado pela beleza feminina, e quando não era correspondido, freqüentemente entrava numa fossa tremenda juntamente com seu copo de "whisky". Em seu poema "Receita de Mulher" ele cita a célebre frase que volta e meia está na boca dos brasileiros: " As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental...".
Como todo bom homem, eu também tenho a minha receita de mulher ideal. E já que não sou de ficar em cima do muro, vou passá-la a vocês. Lá vai:
Fisicamente a mulher ideal não deve ter menos que 1,70 m de altura. Deve ter um peso entre 60 a 65 kg bem distribuidos. O corpo deve ter o formato, não de violão, mas sim de violoncelo, ou seja, mais encorpado. Isto quer dizer que as curvas começam com os seios de tamanho médio cheios, contornam a cintura fina e circular e abrem, de repente em apoteose, num quadril largo composto de glúteos simetricamente volumosos e coxas roliças. Há de ter um fogo no olhar e lábios apetitosamente carnudos. As mãos devem ser firmes e delicadas ao mesmo tempo. E os pés simétricos e longilíneos. Deve ter a inteligência do entender e do falar sobre todas as coisas. E a alegria na alma para que possa contagiar quem dela se aproxime.
Encontrar uma mulher assim, é mais ou menos como acertar sozinho na loteria. Mas se você, por acaso, tiver a sorte de encontrar o seu tipo ideal de mulher, não se anime muito, porque você poderá não ser o tipo ideal dela.



Poema do dia:

Soneto de Infidelidade

"Em memória de Vinícios de Moraes"


Desculpe paixão, frugal sentimento.
Mas eu preciso atender a um chamado.
Que acima de fazer um ser amado,
Detesta a rotina de um vão momento.

E a ele me entregarei sem lamento.
Já que o instinto de animal é legado.
Mais que o amor: ilusão do inconformado,
E além da morte: derradeiro advento.

O sêmem desagüado espalha a vida
A vida que se deve perpetuar,
Na busca da insana razão de existir.

Que o sexo não seja a desunião do lar
Pois sem ele o ser humano irá assistir,
O trem passar num caminho só de ida.

Richard

domingo, 18 de abril de 2010

As Megalópoles

Existe uma megalópole dentro de nós. Talvez não saibamos, mas ela está lá. O homem está condenado à enlouquecer num grande centro urbano. Com sua superpopulação, com seu trânsito caótico, com o colapso dos serviços na hora do "rush". A nossa evolução aponta nessa direção. Temos que aprender a ser sociáveis, temos que aprender a dialogar com os ladrões, temos que saber a hora de tirar o pé do acelerador, e navegar por águas calmas. Como disse Drumond: "- A vida necessita de pausas...".
São Paulo, Nova York, Tóquio, Paris, Pequim, Moscou,... Todas enfim, estão dentro de nós. Elas pulsam na nossa febre interior. Quantos anos de evolução nos separam da vida nas cavernas. Quanto se cresceu de lá para cá. As megalópoles são a síntese evolutiva da civilização. Elas são o retrato da humanidade. Elas são o que somos hoje. O que há de feio ou bonito, moderno ou clássico, chique ou brega, inteligente ou decadente, luxuoso ou pobre, enfim, tudo desfila diante de nossos olhos nas megalópoles. Nelas temos o que queremos 24 horas por dia. Nelas o coração bate eternamente. Temos que vivê-la diariamente, respirar sua poluição, ouvir seus ruídos diversos, povoar seus parques, morar em seus prédios, dar de cara com seus muros e com suas grades.
Enfim, as megalópoles são seres vivos. Elas nos engolem, nos digerem, nos defecam diariamente. Nós somos os parasitas das grandes cidades, precisamos delas, assim como elas precisam de nós. É uma relação simbiótica sem fim. Viva as megalópoles, talvez você não saiba, mas elas estão dentro de você.


Poema do dia:

Grande Cidade

A noite derrama o seu manto,
Na desumana e fria grande cidade.
Em seus becos proliferam, como por encanto,
Seres de duvidosa identidade.

Vejo damas da noite na praça ao luar,
A se balançar em brinquedos de crianças.
Parecem querer buscar, em algum lugar,
A perdida infância de suas lembranças.

Crianças pedintes e maltrapilhas,
Se prostituindo e cheirando cola.
Mal sabendo de quem são filhas
Vão fazendo, do mundo, sua vil escola.

Nas ruas se intrometem os camelôs.
Vendendo bugigangas descartáveis,
Diante de um cinema com detestáveis
Cartazes poluídos de cenas pornôs.

A fumaça densa no ar impregnada.
O cheiro do churrasco, da fritura,
Tudo misturado virando em nada.
Vão enchendo o copo, que um dia satura.

E assim, como um moribundo leproso,
Padece aos poucos, a grande cidade.
Num autofagismo lento e vicioso
Vítima da própria ferocidade.

Richard

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Falando Sobre Marte

Eu cresci ouvindo estórias de marcianos. Aqueles pequenos homens verdes faziam parte dos meus pensamentos infantis, a tal ponto de ficar com medo que eles invadissem a Terra e nos submetessem às suas vontades. Muitos filmes de ficção científica contribuiram para esse pânico vindo de Marte. Discos Voadores ainda são vistos pelos mais crentes, ou por aqueles que mergulham em viagens lisérgicas.
Eu até que gostaria de ser abduzido por uma marciana gostosa, trocar algumas informações e que sabe, alguns líquidos corporais. Mas desisti de tudo isso ao ver a imagem horrivel que Hollywood criou para esses seres extraterrenos. Graças a evolução da tecnologia, e às viagens de sondas espaciais para Marte, esta imagem dos marcianos caiu por terra. As últimas notícias de Marte dão conta que ainda não foi encontrada nunhuma espécie de vida, nem mesmo microbiana, na superfície do planeta. As imagens que chegam até nós, são de um planeta frio, inóspito e desértico. Isto me basta para ficar sem nenhuma vontade de visitar Marte, e de sobra, quebra o encanto que tinha por esse planeta. Cada vez mais me convenço que estamos sós no Universo. Por mais que os cientistas afirmem que possam existir milhares de planetas iguais à Terra em outras tantas Galáxias, estas estão à vários anos-luz de distância de nós. E um ano-luz é muito longe para mim. Nós ainda, nem sequer alcançamos a velocidade da luz...
Cuidemos, portanto, da nossa querida Terra. Ela é única. Somos abençoados por tê-la como mãe. E, quanto à Marte, continuará sendo para mim um mistério a ser desvendado em meus sonhos marcianos.





Poema do Dia:



Campos de Marte

Os campos de Marte
São como os da tua mente
Pálidos, áridos em toda a parte.
Não nasce flor,
Não nasce amor,
Não nasce semente...

O que te fez ser assim
Um mundo fechado, lacrado,
Distante no sem fim
Insensível, intangível,...
Um rio invisível
Num leito parado.

Ventos violentos varem teu país
Dispersando as sementes prometidas
Arrancando meus desejos pela raiz
Que vão ficando para trás em covas contidas.

As dunas não guardam lugar no espaço
Levadas ao vento frio e devasso
Assim como na tua mente os pensamentos
São volúveis ao sabor dos sentimentos.

Amo-te no silêncio sepulcral.
Nesta espera dolorosa que o tempo passe.
Como lesmas lerdas no quintal
Arrastam-se as horas no relógio sem face.

Tudo mais é vácuo e vastidão
Um hiato apartando o meu e o teu coração
Anos-luz de distância reprimida
No alvor da aurora da minha vida.

Marte, morte, Marte, morte, Marte, morte,...
Existe algo suspeito no reino de Marte
Que a tua indiferença soterra com arte
E me faz sorrir, até na hora da morte.

Richard